sexta-feira, 21 agosto , 2026

Comercial da Havaianas e os sinais políticos para 2026

Mídias Sociais Reprodução Notisul

Tempo de leitura: 6 minutos

A escolha de palavras, símbolos e personagens na publicidade raramente é aleatória — sobretudo quando envolve marcas globais, figuras públicas reconhecidas e períodos sensíveis do calendário político. O recente comercial de fim de ano das Havaianas, marca do grupo Alpargatas, acendeu um debate que extrapola o marketing e alcança o campo simbólico da política brasileira às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

No centro da discussão está a atriz Fernanda Torres, garota-propaganda da campanha, que no vídeo afirma que as pessoas não devem entrar no Ano Novo com o “pé direito” — uma inversão direta de uma das expressões mais positivas e consolidadas do vocabulário popular brasileiro.Comercial da Havaianas e a polêmica na política

Uma expressão carregada de sentido cultural

“Começar com o pé direito” é mais do que um modo de falar. Trata-se de um desejo coletivo de sorte, sucesso e bons presságios, presente em diferentes gerações e contextos sociais. A expressão tem origem em tradições antigas, nas quais o lado direito simbolizava o que é correto, auspicioso e favorável. O Destro. Enquanto a esquerda é “sinistra”.

Na linguagem cotidiana, ela é usada para marcar bons inícios: no trabalho, nos relacionamentos, nos esportes ou na vida pessoal. Ao longo do tempo, tornou-se quase um consenso simbólico de otimismo.

Por isso, quando uma campanha publicitária decide subverter esse significado, o gesto deixa de ser apenas criativo. Passa a ser comunicacionalmente carregado.

Publicidade, símbolo e intencionalidade

A publicidade trabalha com códigos simples, de rápida assimilação e forte apelo emocional. Justamente por isso, o uso de símbolos culturais amplamente conhecidos exige cuidado redobrado. Negar ou inverter um símbolo positivo não é, em regra, um ato ingênuo.

No caso da campanha, a fala de Fernanda Torres não se limita ao humor ou à provocação estética. Ela atua sobre um imaginário coletivo que associa “pé direito” a sucesso, ordem e acerto — conceitos que também atravessam o debate público e político.

Ainda mais relevante é o contexto: 2026 será ano de eleições presidenciais, para governos estaduais, Senado e assembleias legislativas. Em cenários assim, mensagens simbólicas tendem a ser interpretadas com maior sensibilidade.

A personagem pública e o ambiente político

Fernanda Torres é reconhecida não apenas por sua trajetória artística, mas também por manifestações públicas de simpatia ao campo progressista, associado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores, à esquerda do espectro político. Enquanto isso, à direita, está o “Bolsonarismo”. Os nomes Lula e Bolsonaro polarizam as eleições de 2026.

Isso não desqualifica seu trabalho como atriz nem implica, automaticamente, militância em campanhas publicitárias. No entanto, em comunicação de massa, a imagem do porta-voz é a mensagem. Marcas sabem disso — e costumam explorar esse capital simbólico de forma estratégica.

Assim, a combinação entre personagem, frase e momento histórico torna legítima a leitura de que o comercial pode dialogar com percepções políticas, ainda que de forma indireta ou ambígua. Neste caso, estes elementos reunidos em uma única peça publicitária, ultrapassaram a ambiguidade.

O peso institucional da Alpargatas

O debate ganha outra camada quando se observa o histórico societário recente da Alpargatas. A empresa passou, nas últimas décadas, por mudanças profundas de controle, muitas delas relacionadas aos efeitos da “Operação Lava Jato” sobre seus antigos acionistas.

Embora a companhia nunca tenha sido condenada por irregularidades, serviu como ativo estratégico para grupos que precisaram levantar recursos para acordos de leniência, na Justiça. Desde 2017, sob o controle de Itaúsa e da família Moreira Salles, a Alpargatas adotou um discurso forte de governança e compliance, buscando distanciamento de riscos reputacionais.

Esse histórico reforça a expectativa de que suas decisões de comunicação sejam calculadas e alinhadas a uma estratégia institucional bastante clara.

Ingenuidade ou mensagem calculada?

No marketing contemporâneo, especialmente em marcas globais, ingenuidade é exceção. Campanhas passam por múltiplas camadas de aprovação, testes de percepção e análises de risco. A inversão de um símbolo cultural positivo, pronunciada por uma figura pública politicamente identificável, dificilmente escaparia desse crivo.

Isso não significa afirmar a existência de propaganda eleitoral ou de intenção partidária explícita. Significa reconhecer que, no ambiente atual, mensagens simbólicas têm impacto político, ainda que não declarado.

O que fica para 2026

O episódio ilustra como publicidade, cultura e política estão cada vez mais entrelaçadas. Em um país polarizado e em contagem regressiva para eleições gerais, marcas que ocupam o imaginário popular inevitavelmente entram no radar do debate público.

Para o consumidor, resta o papel crítico: interpretar, questionar e compreender que, muitas vezes, o que parece apenas uma brincadeira publicitária pode carregar significados mais amplos — especialmente quando mexe com símbolos profundamente enraizados na vida cotidiana brasileira.

Continue lendo

Presidente do CIEE/SC vem a Tubarão para apresentar resultados e acompanhar formatura de jovens

FOTO CIEE/SC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos O presidente do Centro de Integração Empresa-Escola de Santa Catarina (CIEE/SC), Luiz Carlos Floriani, estará em Tubarão...

Pelo Estado – Gaeco deflagra operação de combate à fraude tributária 

 Nesta quinta-feira, 20, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação “Labirinto Fiscal”. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de praticar crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais por meio da geração indevida de créditos de ICMS. Segundo a apuração, o esquema investigado estaria baseado no superfaturamento de insumos adquiridos por uma empresa fabricante de produtos junto a outra empresa vinculada ao mesmo núcleo empresarial, sediada em Manaus/AM. A estratégia teria sido utilizada para ampliar artificialmente os créditos tributários decorrentes das operações, gerando vantagens fiscais indevidas. De acordo com informações da Secretaria de Estado da Fazenda, as irregularidades investigadas podem ter causado prejuízo superior a R$...

Operação apura fraude fiscal com prejuízo acima de R$ 500 milhões em SC

FOTO MPSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutosO Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (20),...

Policial penal transforma 19 anos de vivências no sistema prisional em livro

Depois de 19 anos trabalhando no sistema prisional de Santa Catarina, o policial penal Vlademir Pacheco Custódio encontrou na literatura uma forma de registrar...

PM atende 127 ocorrências em 24 horas e destaca cinco casos no Sul de SC

FOTO Notisul Tempo de leitura: 3 minutos A Polícia Militar atendeu 127 ocorrências em 24 horas na região, entre as 7h de quarta-feira (19) e as...

Operação mira falsa central de plano de saúde após golpe contra moradora de SC

FOTO PCSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira (20) a Operação Falsa Central Médica, contra um...

Mulher que fingiu ter 12 anos aguarda sentença em SC

A audiência de instrução e julgamento da mulher de 38 anos acusada de fingir ter 12 anos ocorreu na quarta-feira (19), em Santa Catarina....

Novas regras da Lei Seca regulamentam pré-teste; entenda

As novas regras da Lei Seca começaram a valer em todo o país e regulamentam o uso do pré-teste ou teste passivo de alcoolemia...